Vera Lyn Poeta

A arte é Divina, é a salvação. A arte nos poe mais perto de Deus. v.l.p

terça-feira, maio 09, 2017

Legião Urbana - As Quatro Estações (1989) [Completo/full album]

Monte Castelo

Ainda que eu falasse a língua dos homens 
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece

O amor é o fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer

Ainda que eu falasse a língua dos homens 
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria

É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É um não contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder

É um estar-se preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É um ter com quem nos mata a lealdade
Tão contrario a si é o mesmo amor

Estou acordado e todos dormem
Todos dormem, todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade

Ainda que eu falasse a língua dos homens 
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria

composição/adaptação: Renato Russo - "Legião Urbana"


segunda-feira, maio 08, 2017


Eis a minha serenidade. Eis apenas meus olhos em movimento. Meu corpo está dormindo, pois já são meia noite e vinte e cinco dessa madrugada. Eis o tédio. Em tempo tudo há de escurecer. Tomei uma lua inteira. Ela já está a adormecer meus membros, posso sentir a serenidade. Meus olhos estão caindo: pálpebra à pálpebra. Colarão feitos dois corpos exaustos de tanto amar. Selarão sem promessa do amanhecer. 
Eis a minha serenidade: eu tomo uma lua ou duas luas e adormeço sem perceber. Assim, também, é a morte.

Vera Lyn Poeta

sábado, maio 06, 2017

Amar! - Florbela Espanca


Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

____Florbela Espanca___
-Vera Lyn Poeta

sexta-feira, maio 05, 2017

Preciso fugir para algum lugar fora da vida

Preciso fugir para algum lugar fora da vida, 
fora da morte, 
fora do céu, 
fora do inferno, 
fora da humanidade, 
fora do mundo, fora de mim mesmo; do meu eu por dentro - também.

O puto que me fez, já se foi faz tempo. Incapacitado de ser meu tutor e exemplo, 
escafedeu-se. Matou-se embriagado de covardia.

Perdi-me em sua linhagem fétida à álcool e nicotina. Suas musicas boemias, cantadas em balcões de bares sujos, em troca de cachaças e fumos. Velho idiota, quem foi o outro puto que te pariu?
Nem pra pegar putas nas esquinas, serviu!

Preciso fugir para um lugar que flutue e exista boa respiração. Que haja muito ar puro a brisar. 
Pensei em meus pulmões...
Sei não. Mas meus pulmões estão em chamas nesse instante. Eu os sinto como vulcões em erupção. Tenho ferimentos nas entradas das narinas, fato, febre interna.

Faz frio. Hoje não tem o sol, apenas nuvens.
Estou escrevendo da prisão onde vivo em excesso de liberdade. Fica detrás dos enormes muros que mandei construir para me prender.
Aqui, eu posso andar de cabeça para baixo. Posso comer formigas, assim como fazem os tamanduás.

Vera Lyn Poeta