Vera Lyn Poeta

A arte é Divina, é a salvação. A arte nos poe mais perto de Deus. v.l.p

domingo, maio 21, 2017

PATO FU - Canção pra você viver mais


Nunca pensei um dia chegar
E te ouvir dizer:
Não é por mal
Mas vou te fazer chorar
Hoje vou te fazer chorar
Não tenho muito tempo
Tenho medo de ser um só
Tenho medo de ser só um
Alguém pra se lembrar
Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais
Faz um tempo que eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais
Deixei que tudo desaparecesse
E perto do fim
Não pude mais encontrar
O amor ainda estava lá
O amor ainda estava lá...

sábado, maio 20, 2017

Fernanda Takai - Debaixo dos Caracóis dos seus Cabelos (ao vivo)

Fernanda Takai - Descansa Coração (ao vivo)


__Cansei de tanto procurar
Cansei de não achar Cansei de tanto encontrar Cansei de me perder
Hoje eu quero somente esquecer Quero o corpo sem qualquer querer Tenho os olhos tão cansados de te ver Na memória, no sonho e em vão
Não sei pra onde vou Não sei Se vou ou vou ficar Pensei, não quero mais pensar Cansei de esperar Agora nem sei mais o que querer E a noite não tarda a nascer Descansa coração e bate em paz.

quinta-feira, maio 18, 2017

quarta-feira, maio 17, 2017

Etta James - I'd Rather Be Blind (Live at Montreux 1975)


Blues....por toda a minha vida,
Para descansar essa bela noite de brisas mansas.

____Eu Prefiro Ser Cega____

Algo me disse que tinha acabado
Quando te vi conversando com ela
Algo lá no fundo da minha alma disse,
"Chore garota"
Quando te vi sair com aquela garota
Saindo

Eu preferiria,
Eu preferiria
Ser cega, garoto
Do que vê-lo se afastar
De mim desse jeito

Ooooo, então veja que eu te amo tanto
Que eu não quero vê-lo me deixar
Acima de tudo eu não
Eu não quero,
Ser livre, não

Eu só estava
Eu só estava
Eu só estava
Sentada aqui pensando
Nos seus beijos

E no seu abraço apaixonado, yeah
Embora o reflexo
no copo que eu seguro
Nos meus lábios agora, querido
Revelou as lágrimas
Que estavam no meu rosto, yeah

E querido, querido
Eu preferiria ser cega, garoto
Do que vê-lo se afastar
Vê-lo se afastar de mim, yeah
Querido, querido, querido
Eu preferiria ser cega agora


Neste exato momento, estou vivendo a leveza do meu ser.
Sentindo a liberdade do meu ser.
Nenhuma angustia pelo meu ser.
Neste exato instante estou com a mão sobre a visão da terceira dimensão 
sentindo-me leve, levíssima à respiração.  
Momentos de paz interior, nessa viagem espiritualista. 
Abro os braços, levo-os acima da minha cabeça, sinto-me toda.
Então, posso tocar o infinito: magnifico astral.
Bendito seja o encontro da essência e a consciência, 
Onde meu corpo e o universo, tornam-se apenas um só campo de energia. 
Amém!

__ Vera Lyn Poeta

segunda-feira, maio 15, 2017

O ultimo amor da minha vida

Assim eram nossas vidas numa só vida. Vivíamos colados no aconchego da paz que nossas almas fundidas, nos proporcionavam em prazer. Sempre atados como a lua e a noite. Iluminando um ao outro como o sol sobre a terra. Assim, como chuvas que lavam almas, deslizávamos pela pele do outro. Eu te amei aos ossos, e você me amou a profundidade dos poros. 

O mundo sabia do nosso intenso amor. Nada a ocultar. Era tudo tão natural. Nossa felicidade contagiante em aparições loucas de risos, falas em alto tom brilhando nossos lábios. Eu te amarei para sempre.

Fecho os olhos e alcanço aquele tempo do silencio profundo, após o recital de poesias, e nossas emoções. A necessidade urgente do abraço em chamegos, beijos quentes e ardentes, até o estremecer de nossas carnes e a explosão. Eu te amei como se ama além. Assim você também me amou - ao desespero.

Continuo a sentir aquele perfume quando sigo até o nosso quarto. O teu cheiro em pele acetinada e polida pele, onde mergulhavam minhas mãos, no caudaloso rio de sua paixão por mim. 

Te amei até quando todas "as casas do mundo" caíram sobre minha cabeça, fato, mal amados, contrários ao nosso amor. Então, você me amou com mais intensidade!

O vazio ficou aqui. Alimento-os em poesias para que siga ao meu lado; ao teu lado estou.

De repente, eramos apenas duas crianças a correr pela avenida. Rindo e pulando, dando as mãos em ciranda e troca de olhares, e voltando para casa, batendo a porta do quarto. Eu te amei como nunca mais amarei outro alguém.
Como amei você! Como foi intenso e reza-poemas, seu amor por mim.

__  Vera Lyn Poeta

sábado, maio 13, 2017

Jardim dos Anjos

Estive por longo tempo pelos jardins onde se plantam crianças.
Todas, ainda, cheirando a leite.
Depois, elas brotam da terra;
Como brotam as flores.....
As flores ficam, e nas flores
pousam as borboletas.
E como borboletas, as crianças renascem com asas,
Tornam-se Anjos!
E então, rumam, voando até o infinito!
Eu, tenho um rebanho de borboletas.
Sinto àqueles dois anjos, sobrevoando; 
brincando e rindo o tempo todo ao redor de mim. 
Eu sou Mãe de anjos-reis →♚♚ <3
Nesses momentos de conciliação nada dói.
Tudo é eterno e é paz.
Então, me sinto livre, muito livre mesmo.
Jardins de Anjos,
Muitas flores a moverem-se com fios de ventos; 
borboletas coloridas em seus pousares,
Silêncio profundo, eu lá, refletindo, e sentindo bem.
É a vida que me transformou em três, e além vida <3.

sexta-feira, maio 12, 2017

Virás comigo - Pablo Neruda


















"VIRÁS comigo", disse sem que ninguém soubesse 
onde e como pulsava meu estado doloroso 
e para mim não havia cravo nem barcarola,
nada senão uma ferida pelo amor aberta.


Repeti: vem comigo, como se morresse,
e ninguém viu em minha boca a lua que sangrava,
ninguém viu aquele sangue que subia ao silêncio.
Oh, amor, agora esqueçamos a estrela com pontas!


Por isso quando ouvi que tua voz repetia
“Virás comigo”, foi como se desatasses
dor, amor, a fúria do vinho encarcerado

que da sua cantina submergida soubesse e outra
vez em minha boca senti um sabor de chama,
de sangue e cravos, de pedra e queimadura.

__Pablo Neruda - "Cem Sonetos de Amor"

Trem-Bala (Música Autoral) Ana Vilela



___MAMÃES....abençoado dia para nós!!! <3     <3     <3

"...A gente não pode ter tudo
Qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso, eu prefiro sorrisos
E os presentes que a vida trouxe
Pra perto de mim...
...Segura teu filho no colo
Sorria e abrace teus pais
Enquanto estão aqui
Que a vida é trem-bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir."

quinta-feira, maio 11, 2017


Havia algo estranho em seu olhar.
Triste ausência, talvez.
Movimentava seus lábios aos suspiros
como se falasse para dentro.

Jamais entendi esse seu silencio longe,
que afinal, adormeceste anos a fio, enroscado nesse corpo meu.

As vezes me recordo de nós dois. 
Então, sinto falta de seus braços envolta de mim,
a proteger todo o meu destino,
toda minha dor.

quarta-feira, maio 10, 2017


Todo esse amor sincero e infinito que carrego no meu peito, me faz livre.
De toda essa liberdade, construo escadas para os céus de Deus
É de lá, do topo, que crio versos com fixos olhares para a terra,
adornando sonhos meus.

Solidão,
Olhos fechados e livre respiração;
Transmutação consciente,
Vida além vida em vida presente: pulsação.
Todos os dias, sinto que estou chegado agora.

Assim que se olharam, amaram-se; assim que se amaram, suspiraram; assim que suspiraram, perguntaram-se um ao outro o motivo; assim que descobriram o motivo, procuraram o remédio.
______William Shakespeare

Nick Drake - Pink Moon

terça-feira, maio 09, 2017

Legião Urbana - As Quatro Estações (1989) [Completo/full album]

Monte Castelo

Ainda que eu falasse a língua dos homens 
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece

O amor é o fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer

Ainda que eu falasse a língua dos homens 
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria

É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É um não contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder

É um estar-se preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É um ter com quem nos mata a lealdade
Tão contrario a si é o mesmo amor

Estou acordado e todos dormem
Todos dormem, todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade

Ainda que eu falasse a língua dos homens 
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria

composição/adaptação: Renato Russo - "Legião Urbana"


segunda-feira, maio 08, 2017


Eis a minha serenidade. Eis apenas meus olhos em movimento. Meu corpo está dormindo, pois já são meia noite e vinte e cinco dessa madrugada. Eis o tédio. Em tempo tudo há de escurecer. Tomei uma lua inteira. Ela já está a adormecer meus membros, posso sentir a serenidade. Meus olhos estão caindo: pálpebra à pálpebra. Colarão feitos dois corpos exaustos de tanto amar. Selarão sem promessa do amanhecer. 
Eis a minha serenidade: eu tomo uma lua ou duas luas e adormeço sem perceber. Assim, também, é a morte.

Vera Lyn Poeta

sábado, maio 06, 2017

Amar! - Florbela Espanca


Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

____Florbela Espanca___
-Vera Lyn Poeta

sexta-feira, maio 05, 2017

Preciso fugir para algum lugar fora da vida

Preciso fugir para algum lugar fora da vida, 
fora da morte, 
fora do céu, 
fora do inferno, 
fora da humanidade, 
fora do mundo, fora de mim mesmo; do meu eu por dentro - também.

O puto que me fez, já se foi faz tempo. Incapacitado de ser meu tutor e exemplo, 
escafedeu-se. Matou-se embriagado de covardia.

Perdi-me em sua linhagem fétida à álcool e nicotina. Suas musicas boemias, cantadas em balcões de bares sujos, em troca de cachaças e fumos. Velho idiota, quem foi o outro puto que te pariu?
Nem pra pegar putas nas esquinas, serviu!

Preciso fugir para um lugar que flutue e exista boa respiração. Que haja muito ar puro a brisar. 
Pensei em meus pulmões...
Sei não. Mas meus pulmões estão em chamas nesse instante. Eu os sinto como vulcões em erupção. Tenho ferimentos nas entradas das narinas, fato, febre interna.

Faz frio. Hoje não tem o sol, apenas nuvens.
Estou escrevendo da prisão onde vivo em excesso de liberdade. Fica detrás dos enormes muros que mandei construir para me prender.
Aqui, eu posso andar de cabeça para baixo. Posso comer formigas, assim como fazem os tamanduás.

Vera Lyn Poeta

Meu corpo ancorado noutra vida - dentro desta.


Segui, pelas ruas de minhas angustias.

Cheguei a pensar que não valeria o penar.
Quantas vezes tombei? Não sei!

Me perdi. Fiquei zonza; acuada num canto escuro;
de solidão ardendo.
Mas existe àquela força sobre humana,
Que age secreta e envolvente.
Forte como o fogo.
Brabas ondas de maré a ressuscitar terras novas;
enxurradas de sentimentos amadurecidos.

Os poemas são minha cura.
Onde em silêncio incorporo infinitos.
Que invadem meus segredos a descreverem -
litorâneos de Deus.

Emergir o corpo expelindo faíscas de vida, levantado pela alma;
Corpo ancorado noutra vida - dentro desta.
Alma em marfim. Alma que transporta. Sigo. 
Meus surtos, meus choros de amor e ódio, meus olhos envoltos por marcas de expressão falam por mim.


quinta-feira, maio 04, 2017

Ah se eu pudesse

Ah se eu pudesse viver de brisas
Só da brisa que o vento leve traz.
Ah se eu pudesse morar dentro dos poemas,
acomodada no berço que nos poemas há.

Jogar-me aos passos em mutualidade do revoar leve, livre, solto
duma bailarina que nos poemas, há.

Ah se eu pudesse,
esquivar-me ao Arcanjo falastrão,
Que me arranca do mutismo,
incumbindo-me à missão,
do amor semear.....ao virgem clarão da terra no chão
Onde também, pisará o tolo e o presunçoso,
com seus pobres bordões em cinzas
em suas vãs tentativas,
de me alienar e arrastar.

Ah se eu pudesse ser brisas leves, livres, 
soltas ao vento,
lento dengo estendida sobre teus braços,
sorrindo feliz, e seus lábios beijar....a minha boca na tua voz
suspirando amar.

Vera Lyn Poeta

Chico .....


Minha mãe sempre diz: Não há dor que dure para sempre! Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos. E apesar de saber de tudo isso porque algumas dores duram tanto?” 
― Chico Buarque

Vera lyn poeta

Profunda dor


Tantas dores, nesse exato milésimo de segundo, ecoam pelo mundo. Essa profunda dor que estou sentindo, é somente mais uma daquelas dores que sangram.

Ceguei-me às palavras de amor ouvidas. Adentrei de corpo e alma, aos castelos construídos no imediatismo.

Entendo que tudo era apenas um belo e puro sonho. Por isso sangro agora. Não se é permissivo esmagar sonhos como se matam baratas. Pisando sobre, e retorcendo a ponta dos pés até sobrar fagulhas; restos nauseantes. 

A poesia e eu somos apenas uma só alma. Mas eu não sei amar....
Quando amo chego ao grau da loucura. Salto à velocidade, em fuga, na minha própria liberdade.
Sinto pavor do desamor. Sinto angustia da traição. A traição me lança de volta ao inferno fumegante da minha mente transtornada.

Penso na frase impactante da escritora diva Clarice Lispector: "Acredito que pessoas aprendem com os próprios erros e com o tempo. Acredito também que quem traiu uma vez e foi perdoado vai trair de novo." - Paro de chorar, vou tomar meu café dessa manhã nublada.

Vera Lyn Poeta

domingo, abril 30, 2017


Viver em sociedade é um desafio porque às vezes ficamos presos a determinadas normas que nos obrigam a seguir regras limitadoras do nosso ser ou do nosso não-ser... 
Quero dizer com isso que nós temos, no mínimo, duas personalidades: a objetiva, que todos ao nosso redor conhece; e a subjetiva... Em alguns momentos, esta se mostra tão misteriosa que se perguntarmos - Quem somos? Não saberemos dizer ao certo!!!
Agora de uma coisa eu tenho certeza: sempre devemos ser autênticos, as pessoas precisam nos aceitar pelo que somos e não pelo que parecemos ser... Aqui reside o eterno conflito da aparência x essência. E você... O que pensa disso? 

Que desafio, hein?


"... Nunca sofra por não ser uma coisa ou por sê-la..." 

- Clarice, em "Perto do Coração Selvagem" 

__ Vera Lyn Poeta

Quem nunca roubou não vai me entender. E quem nunca roubou rosas, então é que jamais poderá me entender. Eu, em pequena, roubava rosas.
Bem, mas isolada no seu canteiro estava uma rosa apenas entreaberta cor-de-rosa-vivo. Fiquei feito boba, olhando com admiração aquela rosa altaneira que nem mulher feita ainda não era. E então aconteceu: do fundo de meu coração, eu queria aquela rosa para mim. Eu queria, ah como eu queria. E não havia jeito de obtê-la. Se o jardineiro estivesse por ali, pediria a rosa, mesmo sabendo que ele nos expulsaria como se expulsam moleques. Não havia jardineiro à vista, ninguém. E as janelas, por causa do sol, estavam de venezianas fechadas. Era uma rua onde não passavam bondes e raro era o carro que aparecia. No meio do meu silêncio e do silêncio da rosa, havia o meu desejo de possuí-la como coisa só minha. Eu queria poder pegar nela. Queria cheirá-la até sentir a vista escura de tanta tonteira de perfume...."

__Clarice Lispector - em: Felicidade Clandestina, "Cem anos de perdão"

sexta-feira, abril 28, 2017

Subiremos incansáveis todos os degraus. Não os degraus de quando nascituros. Menos ainda o posterior. Mas sim, aqueles degraus que nos porá frente a frente do auto conhecimento. Uma forma exata de acessarmos o nosso potencial criativo, mergulhadores de alma que somos.

Acredito na verdade, na essência, na paz e no amor. E eu acredito nessa terceira dimensão, porque é nela que eu existo, insisto, e me inspiro.

Caio Fernando Abreu descreve Clarice Lispector


"... Ela é exatamente como os seus livros: transmite uma sensação estranha, de uma sabedoria e uma amargura impressionantes. É lenta e quase não fala. Tem olhos hipnóticos, quase diabólicos. E a gente sente que ela não espera mais nada de nada nem de ninguém, que está absolutamente sozinha e numa altura tal que ninguém jamais conseguiria alcançá-la. Muita gente deve achá-la antipaticíssima, mas eu achei linda, profunda, estranha, perigosa. É impossível sentir-se à vontade perto dela, não porque sua presença seja desagradável, mas porque a gente pressente que ela está sempre sabendo exatamente o que se passa ao seu redor. Talvez eu esteja fantasiando, sei lá. Mas a impressão foi fortíssima, nunca ninguém tinha me perturbado tanto..."  < Caio Fernando Abreu >



"Quem conheceu Clarice sabe: ela não era mesmo muito deste mundo. Até hoje lembro de um encontro que tivemos em Porto Alegre, em 1975. Ela – que quase não falava, fumava muito e suportava pouco as pessoas – me convidou para um café na Rua da Praia. Fomos. Silêncio denso, lispectoriano. No balcão do bar, por trás da fumaça do cigarro e com aquele sotaque estranhíssimo, de repente ela perguntou: “Como é mesmo o nome desta cidade?” E estava em Porto Alegre há três dias..." 
< Caio Fernando Abreu >

quarta-feira, abril 26, 2017

Sentia que a vida lhe fugia de novo por entre os dedos. 
Na sua humildade esquecia que ela mesma era fonte de vida e de criação.
___ autora: Clarice Lispector

A outra de mim mesma



Seguirei cuidando da outra de mim mesma. Ela é infeliz, triste, chorona, hiper sensível, melancólica, transtornada mental, medrosa, super insegura, solitária, íngreme a relacionamentos, super antissocial, enfim, ela precisa dessa outra que sou ela.

Enquanto a outra que sou ela...... ri alto; chora de rir, mata 70 leão por segundo, é feliz, sensível sim, mas não ao ponto de transbordar. Se sente segura por onde passa com quais conversa, não tem medo de aproximações, desce do salto todas as vezes, adora relacionar-se, e resolve qualquer parada, enfim!

Não abro mão da outra. Ela é toda minha vida e minha cria. A vida e as pressões criaram essa pequena frágil, que por vezes está ajoelhada rezando. Implorando a morte aos céus:  "Misericórdia, Deus, me leve agora". - Mas eu não deixo! Eu cuido dela com amor, afeto, carinho, ternura, afinco. Eu protejo ela, cria minha, que a vida machucou.

A outra que sou eu e que somos nós, ajuda essa pequena a escrever suas dores de parto. Eu canto para ela. Eu a coloco na cama à dormir. Eu a desperto e a sigo de olhos bem abertos. Eu alimento a parte dela que ainda possa vir a ser feliz. Então estaremos completa.

____Vera Lyn Poeta - autora

Janis Joplin: RARE 1st Studio Recording Of "Me & Bobby McGee"





____A primeira gravação de Me & Bobby McGee no estúdio. Janis soa incrível e completamente pregos em uma tomada. É crua e não editado - apresenta conversas de estúdio no início. Apreciar!

Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.


______Pablo Neruda -  Os versos do Capitão

terça-feira, abril 25, 2017


"..com sua enorme inteligência compreensiva, dedicando-se a não ser humana, no sentido em que 
ser humana é também ter violências e defeitos. Dedica-se a compreender perdoando os outros. 
Aquele coração está vazio de mim porque precisa que eu seja admirável. Todos recorrem a ela 
quando estão com algum conflito e ela, “a consoladora oficial”, entende, entende, entende. 
Minha grande altivez: preciso ser achada na rua."

-autora: mito Clarice Lispector



O que chamo de morte me atrai tanto que só posso chamar de valoroso o modo como, por solidariedade com os outros, eu ainda me agarro ao que chamo de vida. Seria profundamente amoral não esperar, como os outros esperam, pela hora, seria esperteza demais a minha de avançar no tempo, e imperdoável ser mais sabida que os outros. Por isso, apesar da intensa curiosidade, espero.

__ Autora: Clarice Lispector - Um Jeito Diferente de Ser
por: Vera Lyn Poeta




O hábito tem-lhe amortecido as quedas. Mas sentindo menos dor, perdeu a vantagem da dor como aviso e sintoma. Hoje em dia vive incomparavelmente mais sereno, porém em grande perigo de vida: pode estar a um passo de estar morrendo, a um passo de já ter morrido, e sem o benefício de seu próprio aviso prévio.

__ Autora: Clarice Lispector - Jornal do Brasil (1967)

por: Vera Lyn Poeta